sexta-feira, 10 de maio de 2013

Chapa RENOVAR - Vencedores da eleição do GRÊMIO ESTUDANTIL 2013




Eleições Grêmio Estudantil CEOMS 2013


         Hoje está ocorrendo a eleição do GRÊMIO ESTUDANTIL 2013 de uma forma inédita: Todo o processo está informatizado, e os alunos estão tendo a oportunidade de votar no computador em um programa que simula a prática eleitoral que vigora em nosso país,  e que tem servido de exemplo de avanço para todo o mundo, com direito a som igual ao da urna oficial após apertar a tecla confirma e tudo. Após a votação do turno da noite, em poucos segundos teremos acesso ao resultado final, que será publicado também aqui no nosso blog. Este processo proporciona muito mais segurança e viabilidade, sendo bem menos trabalhoso, o que demonstra também um grande avanço para nossa escola. Parabéns a todos os alunos e professores que estão envolvidos no processo e que tem se desempenhado para que tudo possa acontecer. Valeu mesmo...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um pouco de Graciliano Ramos.... leia... vale a pena.

abr.13: Memórias do Cárcere, capítulo XXX

Publicado em 01 de abril de 2013
Certa manhã os paranaenses foram chamados à secretaria e voltaram num ruidoso contentamento: no dia seguinte, com dois rapazes do nordeste e alguns ladrões e vagabundos, deixariam a Colônia. Essa notícia me causou viva inquietação. O nosso grupo se desconjuntava, segundo o hábito que me parecia regra na cadeia. Uma parte ficava ali; outra se juntava a pessoas desconhecidas, ia formar em lugares diferentes novos aglomerados instáveis. No Pavilhão dos Primários qualquer boato a respeito de mudança nos tirava o apetite. Agora aqueles homens estavam alegres em excesso: provavelmente não seriam soltos, mas a transferência devia ter para eles quase o valor de uma libertação.
Felicitei-os, procurando sentir prazer com o afastamento incompreensível. Achava-me na verdade cheio de inveja e despeito. Resolução estúpida. Van der Linden e Mário Paiva, meus companheiros no porão do Manaus, cuspiam sangue, coitados, precisavam realmente sair. Mas Zoppo, Cabezon, Petrosky, homens fortes, podiam resistir mais alguns dias. Petrosky era um gigante. Ao vê-lo arrumar a bagagem, vagaroso, pesado, com jeito de boi, achava-me em completo desânimo. Impossível agüentar-me. A agonia do malandro cafuzo importunava-me. À chegada, arrastava-me a custo; olhando-me a cara, o tenente Bicicleta me dispensara do trabalho O meu fim estava próximo, com certeza. E abandonavam-me naquele inferno.
Passei o dia remoendo idéias lúgubres. Iam enterrar-me ali. Um pacote leve, alguns ossos envoltos nas duas bandas de lençol tintas de vômitos sangrentos. Embrulho imundo, anônimo, em cima de uma tábua. Enfim não pretendiam corrigir-nos: queriam apenas matar-nos, dissera o guarda vesgo na primeira noite, procurando esconder o braço pequeno, atrofiado. – “Quem tem protetor fica lá fora. Os que chegam aqui vêm morrer. Todos iguais.” Sem dúvida. O malandro cafuzo, Domício Fernandes, revolucionário de Natal, assassinados, iguais, sem dúvida. Todos iguais. Ia acabar-me assim. Natural. Se pudesse entrar na fila, sentar-me no refeitório ignóbil, ingerir pedaços da bóia infame, talvez conseguisse estender um pouco a vida hesitante. Impossível. Cubano voltaria a agarrar-se comigo, em luta física, para obrigar-me a comer. Os bons propósitos dele se perderiam.
Esses pensamentos desagradáveis foram interrompidos à tarde. Chamaram-me à grade, mandaram que me apresentasse ao diretor. Que diabo seria? Essa gente nunca me falara. Vesti a roupa de casimira por cima do pijama e, sem gravata, julguei-me decente para falar à autoridade. Abriu-se a porta, saí em companhia da força, atravessei o pátio, fui levado à casa onde me haviam espoliado antes de me rasparem a cabeça.
Entrei numa saleta, vi sentado a uma banca um homem de rosto fino, duro, silhueta recortada em lâmina de faca. Logo reconheci o médico, o diretor suplente que viajara conosco na lancha, entre senhoras acomodadas em cadeiras de vime. Avancei, detive-me a pequena distância da mesa. O sujeito de fisionomia cortante, em silêncio, estendeu-me um papel. Li. Era um telegrama chamando-me com urgência ao Rio.
- Está bem. Quando viajo?
- Amanhã, com os outros.
- Está bem.
Ia retirar-me, atordoado: não esperava tal coisa. Porque não me haviam juntado aos outros? Decisão de última hora, certamente. Dirigi-me à porta, uma lembrança deteve-me: recuei, murmurei à toa, sem escolher palavras:
- Ó doutor, quer fazer-me o obséquio de mandar procurar uma carteira que me furtaram aí na secretaria?
O sujeito olhou-me severo e respondeu firme:
- Aqui não se furta.
- Santo Deus! tornei. Aqui não se faz outra coisa. Todos nós somos ladrões. Porque é que estamos na Colônia Correcional? Porque somos ladrões, naturalmente. Pelo menos é esta a opinião do governo. O senhor ignora que lá dentro usamos os casacos pelo avesso, para os nossos amigos não nos meterem as mãos nos bolsos?
Larguei isso com um sorrisinho mau, impertinente, repisando frases. O objeto perdido não me faria grande falta, nem uma vez pensara em reavê-lo. Mas, feita a reclamação, pegava-me a ela, por ver que estava causando aborrecimento ao funcionário antipático. Insisti, ele mandou chamar o rapaz da secretaria.
- É isto, expliquei. Uma carteira que os senhores me furtaram no dia da chegada. Estão aqui o porta-níqueis e o cinto, com monogramas. Há na carteira um monograma igual.
- O senhor tem recibo? perguntou o sem-vergonha.
- Não, homem. Você já viu ladrão dar recibo do que furta?
- Ah! Não fui eu.
- Então foi um colega seu. Vocês todos se entendem.
O sujeito negava a pés juntos. Insisti na reclamação por teimosia, só para chatear o médico. Certamente não me iriam atender: limitava-me a acusar sem provas, e era impossível identificar o culpado na multidão confusa. No caso dele, meter-me-ia nas encolhas, evidentemente; qualquer indivíduo sensato faria o mesmo. Não me passava a idéia de que ele fosse denunciar-me. E continuava a segurar-me a um direito vago, indemonstrável, enquanto a frase do guarda zarolho me feria a lembrança: – “Aqui não há direito”. O homem de cara metálica esgotava a paciência, com certeza; necessário decidir-me a largar o caso enfadonho, que nenhuma vantagem me podia trazer. Depois de viver naquela miséria, sem alimentos, sem banho, encurralado como bicho, sugado por mosquitos e piolhos, resguardando-me com trapos sujos de hemoptises, ocupar-me assim de um prejuízo insignificante era absurdo. Ao entrar na Casa de Detenção, agarrara-me a um frasco de iodo quase vazio que me queriam tomar, defendera-o com vigor, mostrando uma unha já cicatrizada; conseguira salvá-lo e jogara-o no lixo, pois não me servia para nada. Qual seria o motivo dessa obstinação, agora repetida? Julgo que o meu intuito, embora indeciso, era reaver uma personalidade que se diluíra em meio abjeto. Exigindo o frasco inútil, esforçava-me por eliminar do espírito vestígios do horrível porão, onde supus enlouquecer. As esteiras imundas, o refeitório ignóbil, pessoas transformadas em animais selvagens, morrendo à toa, justificavam segunda impertinência. Não se tratava só de molestar uma figura desagradável. Junto à mesa, olhando o telegrama, aparecia-me a avidez de reentrar enfim na humanidade. Lembro-me de, naquele instante, me haver considerado trapaceiro e mesquinho. Prevalecia-me da situação para dizer palavras insensatas na véspera, e isto de algum modo significava um procedimento covarde. Senti que aquela gente – soldados e guardas ébrios, insensíveis, obtusos – já não me causaria mal: o telegrama tinha pouco mais ou menos o valor de uma carta de alforria. Havia nessa reflexão força bastante para fechar-me a boca. Não me calei. E o moço da secretaria, negando sempre, começou a perturbar-se. De repente saiu. Dispunha-me a sair também, avizinhava-me da porta, quando ele entrou de novo, e me estendeu a carteira:
- É esta?
Recebi-a, tirei do bolso o porta-níqueis, desafivelei o cinto, fui colocar tudo sobre a mesa, conferi os monogramas:
- Está aí, doutor. O ladrão veio trazê-la. E o doutor a dizer que aqui não se furta. Engraçado.
Recolhi os três objetos, rindo alto. Mordia os beiços para reprimir a manifestação ruidosa, e não me continha:
- Aqui não se furta. Adeus, doutor. Muito obrigado.
O médico levantou-se, acompanhou-me até a cancela do curral. Pela primeira vez achava-me vigiado por um sujeito de importância, mas isto de nenhum modo atenuou as humilhações anteriores. Naquele momento, com a viagem fixa para o dia seguinte, inclinava-me a dispensar a cortesia inopinada. O homem tencionava provavelmente, julguei, abrandar-me o conceito motivado pela cena desairosa à administração. Ao sair, espantava-me de ele não haver dito uma palavra de censura. E mais me surpreendia o desazado comportamento do velhaco: repelira a acusação frágil, depois se embrulhara, perdera os estribos e condenara-se estupidamente. Isso corroborava o meu juízo a respeito dos ladrões: gente vaidosa e potoqueira. Mas aquele na verdade era inferior aos outros. Descuidista, imaginei.
No pátio branco, as árvores enfileiradas, marciais, despojavam-se das folhas amarelas, que voavam lentas na aragem branda. Havia no céu um desperdício de tintas. O negrume ferruginoso dos montes próximos ganhava tons dourados. E a distância, verdes e finas, as piteiras imergiam num banho luminoso. Seriam talvez seis horas.
- Que beleza, doutor! Que maravilha!
Chegávamos à cancela. E experimentei de chofre a necessidade imperiosa de expandir-me numa clara ameaça. A desarrazoada tentação era tão forte que naquele instante não me ocorreu nenhuma idéia de perigo.
- Levo recordações excelentes, doutor. E hei de pagar um dia a hospitalidade que os senhores me deram.
- Pagar como? exclamou a personagem.
- Contando lá fora o que existe na ilha Grande.
- Contando?
- Sim, doutor, escrevendo. Ponho tudo isso no papel.
O diretor suplente recuou, esbugalhou os olhos e inquiriu carrancudo:
- O senhor é jornalista?
- Não senhor. Faço livros. Vou fazer um sobre a Colônia Correcional. Duzentas páginas ou mais. Os senhores me deram assunto magnífico. Uma história curiosa, sem dúvida.
O médico enterrou-me os olhos duros, o rosto cortante cheio de sombras. Deu-me as costas e saiu resmungando:
- A culpa é desses cavalos que mandam para aqui gente que sabe escrever.
IN: RAMOS, Graciliano. Mamórias do Cárcere. Rio de Janeiro: Record, 2011, p.512-516.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Vamos pensar a cidadania na prática...

          Hoje em dia presenciamos muito a discussão sobre a formação dos alunos voltada para a cidadania, com um discurso que vai muito além das práticas da sala de aula.
      A formação de um sujeito, enquanto cidadão, deve ultrapassar as expectativas do professor, levar o sujeito a alavancar nas atitudes do cotidiano em prol dos interesses sociais.
         No contato com o grupo, a educação deve estar voltada para fatores que englobam os interesses dos mesmos, sendo associados a valores morais e éticos.
      O processo educativo, nesse sentido, deve ser responsável por levar os sujeitos envolvidos a perceberem sua importância na vida do outro, suas responsabilidades diante do mundo e as capacidades que deve desenvolver para exercitar essas práticas no decorrer da vida.
         Alguns valores podem ser considerados como principais para a formação da cidadania, como:
- Cooperação: onde o aluno percebe que a troca de conhecimentos e a sua participação são fundamentais para a concretização de uma atividade;
- Sinceridade: quando buscamos confiança nos outros, mas principalmente quando exercemos nossa própria sinceridade, estando certos ou não em nossas ações;
- Perdão: perdoar é não guardar ressentimento contra ninguém, é se livrar das amarras impostas pelo rancor;
- Respeito: princípio básico para receber respeito. Quem não desenvolve o hábito de respeitar os outros, acaba não sendo respeitado;
- Diálogo: para resolver impasses, divergências de opiniões, nada melhor que o diálogo, a conversa de qualidade que coloca os pingos nos “is”. Conversar, trocar ideias e buscar explicações sem acusar o outro é uma forma de se livrar dos embaraços;
- Solidariedade: essa é a palavra que vincula afetivamente entre as pessoas. Ser solidário é uma grande virtude, o sujeito demonstra sua preocupação com o outro, ajudando a construir uma sociedade mais justa;
- Não agredir: violência gera violência, isso todo mundo sabe, portanto não se deve agredir ninguém com palavras e muito menos fisicamente;
- Bondade: esta é uma forma de demonstrar respeito ao seu semelhante. Ser bondoso e atencioso com as pessoas só faz com que receba bondade dos outros. Bem diz o ditado “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, ou seja, a pessoa que causa o sofrimento do outro, receberá o mesmo tratamento.
         Passar esses conceitos ajudará o grupo no desenvolvimento de suas capacidades e responsabilidades, além do crescimento em suas relações interpessoais, pois perceberá que seus direitos serão garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos outros e vice-versa.

Prof. Carlos Soares

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Para pensar....

A História do Lápis
O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura perguntou:
-Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco
-E, por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
-Estou escrevendo sobre você, é verdade.
Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial. E disse:

-Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
No entanto, a avó respondeu:

- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo: 
'Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Essa mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade.

'Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.

' 'Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.

"Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.

' 'Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação.'